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Mobbing na Enfermagem: O Perigo de Quando se Cai no Ridículo
Por uma cultura de respeito e segurança nos cuidados de saúde.

O fenómeno do mobbing (assédio moral) na enfermagem é um segredo aberto nos corredores hospitalares. Frequentemente camuflado sob a desculpa do “batismo” aos novos recrutas ou do stress extremo da profissão, existe uma linha ténue — e perigosa — que é cruzada quando o assédio deixa de ser institucional e passa a ser ridicularizante.
Na enfermagem, o trabalho de equipa é a espinha dorsal da segurança do doente. No entanto, o mobbing manifesta-se muitas vezes através da infantilização e da exposição do colega ao ridículo, atacando diretamente a sua dignidade profissional.
O Cenário: Quando o “Rir de” Substitui o “Rir com”
A ridicularização é uma das armas mais insidiosas do assédio. Ela não deixa marcas físicas, mas destrói a autoconfiança técnica. Exemplos comuns incluem:
- A “Praxe” Infinita: Erros menores de enfermeiros recém-licenciados que são transformados em anedotas de serviço que perduram anos.
- O Isolamento no Posto: Silêncios súbitos quando a vítima entra na sala de pausa ou conversas em códigos e olhares de soslaio.
- Críticas Públicas: Corrigir procedimentos de forma sarcástica à frente de doentes ou da equipa médica, despindo o enfermeiro da sua autoridade.
O Impacto Silencioso na Equipa e no Doente
Quando a equipa permite que um colega “caia no ridículo”, as repercussões são sistémicas e graves:
| Impacto Individual | Impacto na Equipa | Impacto no Doente |
|---|---|---|
| Ansiedade, depressão e Burnout. | Quebra na comunicação vital entre pares. | Aumento da probabilidade de erro clínico. |
| Sentimento de incompetência técnica. | Ambiente tóxico e desconfiado. | Insegurança percebida pelo utente. |
“A enfermagem é a arte de cuidar. É um paradoxo cruel que profissionais formados para a empatia sejam, por vezes, os arquitetos do sofrimento dos seus próprios pares.”
Como Travar a Roda do Escárnio?
O combate ao mobbing exige uma mudança de cultura organizacional:
- Tolerância Zero da Chefia: O enfermeiro gestor não pode ser conivente. O silêncio da chefia é uma validação do assédio.
- Cultura de Mentoria: Substituir o escárnio pelo ensino. Se um colega falha, a correção deve ser privada, técnica e pedagógica.
- O Papel do Observador: Quem assiste e se cala, consente. É fundamental que os colegas intervenham ao primeiro sinal de desrespeito.



