Alterações do ritmo circadiano das células do coração influenciam função cardíaca e RCV
A regulação dos níveis dos iões sódio e potássio permitem uma adaptação da função cardíaca aos estímulos diários.

Os ritmos circadianos das células do coração ajudam a adaptar a função cardíaca ao longo do dia. De acordo com um novo estudo publicado na revista Nature Communications, quando este é alterado, por exemplo, através de trabalho em turnos noturnos, as pessoas são mais vulneráveis a desenvolver problemas cardíacos ou eventos cardiovasculares.
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Segundo têm demonstrado os especialistas, as células cardíacas regulam os seus ritmos circadianos através de mudanças diárias nos seus níveis de iões sódio e potássio, uma vez que as suas alterações permitem o impulso elétrico que causa a contração do coração e impulsiona os batimentos cardíacos.
Através deste estudo, além de os cientistas confirmarem que as células do coração alternam os seus níveis internos de sódio e potássio durante o dia e a noite, o que permite com que o coração se acomode e sustente o aumento da frequência cardíaca quando estamos ativos, também mostrou que estes ritmos podem afetar a frequência cardíaca.
Segundo explicam, os ritmos diários nos valores destes iões sódio e potássio ocorrem para permitir mudanças nas proteínas celulares. Assim, quando existe uma alteração destes ritmos, através de trabalho noturno, os ritmos iónicos ficam “dessincronizados” com a estimulação dos relógios no cérebro, o que explica um aumento do risco cardiovascular (RCV) e de desenvolvimento de patologias cardíacas junto destas pessoas.
De acordo com a principal autora da análise, Alessandra Stangherlin, foi uma surpresa “descobrir que os níveis de sódio e potássio mudaram até 30% nas células isoladas e no tecido cardíaco. Isso confere uma variação diária de duas vezes a atividade elétrica de células cardíacas isoladas. Na análise que fizemos com ratos, isto pareceu ser crucial para a compreensão das mudanças diárias na frequência cardíaca”.
Segundo acrescenta o líder do estudo, John O’Neill, “os gradientes de iões que contribuem para a frequência cardíaca variam ao longo do ciclo diário. Isto provavelmente ajuda o coração a lidar com o aumento dos estímulos durante o dia. Isto abre a possibilidade de encontrarmos terapêuticas mais eficazes para certas condições cardiovasculares, por exemplo, através da administração de fármacos na altura certa do dia”.
Consulte o estudo na íntegra aqui.
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