Iranianos dão a vida pela liberdade e o silêncio já não é opção

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A revolução marxista islâmica de 1979 levou à implantação no Irão de um regime teocrático sanguinário. Um regime terrorista que usa o terror contra os seus próprios cidadãos. Uma sociedade em que as mulheres são discriminadas e arriscam a vida se mostrarem os cabelos, a música e a dança estão proibidas. Uma ditadura cruel que em nome de um Deus equipara as mulheres a vacas e cabras, criadas para serem usadas pelos homens. Quem ofende esse Deus é condenado à morte, mas deve antes disso ser torturado, só depois, a morte. Muitas mulheres detidas são violadas. 47 anos de medo e de um terror inimaginável.
O Irão é o principal promotor e financiador do terrorismo internacional, apoia e financia o Hamas e o Hezbollah, com um currículo que contempla ao longo dos anos 360 ataques terroristas em mais de 40 países
A luta pela liberdade do povo iraniano não é de agora. Em 2022, o caso de uma mulher, a quem, enquanto conduzia de carro, caiu o lenço da cabeça mostrando o cabelo, foi por isso prontamente chamada a dar explicações à polícia e acabou por ser morta por esta. Isso levou às manifestações que se deram em 2022 no Irão e um pouco por todo mundo.
De acordo com a Time, nos dias 8 e 9 de Janeiro deste ano, o líder iraniano, Ali Khamenei, no auge dos protestos já deste ano, ordenou que se “disparasse e matasse sem misericórdia” e que “sedição é pior do que a morte”, estima-se que terão sido assassinadas 30.000 pessoas em dois dias em 400 cidades, considerado pelo Conselho Editorial Internacional do Irão o massacre mais letal da história.
De acordo com o testemunho de médicos e enfermeiras em Teerão, as forças de segurança entraram em hospitais e levaram feridos que estavam a receber tratamento ou abateram simplesmente os feridos, tiraram-lhes os ventiladores e estes morreram. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram corpos com ferimentos de bala na cabeça que apresentam claros sinais de hospitalização.
Os feridos evitam os hospitais por terem medo de serem presos ou assassinados.
Duas enfermeiras testemunharam como um agente de segurança entrou numa ambulância e executou um jovem ferido com dois tiros. As milícias – muitas são estrangeiras e não falam farsi (língua oficial do Irão) mas árabe – usam ambulâncias para emboscar manifestantes. Há relatos de como as autoridades deixam feridos simplesmente esvair-se em sangue.
Médicos e enfermeiros são ameaçados para não tratar os manifestantes, os que os tratam são presos.
Familiares de pessoas detidas nas suas casas são chamadas mais tarde para ir buscar os seus familiares, já mortos. Os familiares dos detidos são ameaçados para impedirem que se manifestem e divulguem as atrocidades cometidas pelo regime. Outros relatos afirmam que as forças de segurança batem à porta das casas sob falsos pretextos, como a entrega de uma encomenda, assim que a pessoa abre a porta é executada com vários tiros à queima-roupa. São feitos disparos aleatórios para apartamentos. Reina o terror.
Há relatos que feridos que, colocados em sacos de cadáveres por as milícias os julgarem mortos, se fazem de mortos durante 3 dias para não serem executados.
Há testemunhos do uso de armas químicos e drones para abater civis. Estima-se haver mais de 40.000 manifestantes presos e mais de 300.000 feridos. O corte da Internet em todo o país teve como objectivo evitar a saída de informações, vídeos e imagens do país, pelo que é difícil confirmar números exactos.
Se se confirmar por meio de uma investigação independente que estes relatos configuram execuções extrajudiciais generalizadas, poderão ser considerados crimes contra a humanidade.
De acordo com a mesma fonte, após um discurso o Líder Supremo Ali Khamenei a 9 de janeiro afirmou frases como “al-nasr bil-ru‘b” (vitória pelo terror) e “combater até que não haja mais sedição” foram usadas em reuniões com altos comandantes do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica/Guarda da Revolução Iraniana (IRGC). As mesmas frases alegadamente também apareceram a 9 de janeiro em canais da rede social Telegram ligados a grupos radicais.
Há milhares de vídeos nas redes sociais sobre pessoas que fazem o seu último vídeo, por saberem que serão provavelmente mortas na próxima manifestação em que decidem participar, mesmo assim participam. Nada têm a perder, dão a vida pela liberdade, a liberdade dos outros se forem mortos. Altruísmo? Ou o desespero que quem vive refém de uma ditadura cruel e nada mais tem a perder? A economia está de rastos o que explica parte do desespero da população e terá dado origem às manifestações por todo o país no inicio do mês de Janeiro.
O Parlamento Europeu condenou a repressão brutal dos manifestantes pelo Irão, e depois da UE ter expulsado os embaixadores iranianos do Parlamento Europeu, esta quinta-feira a UE designou a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista.
Em Portugal tiveram lugar no Porto e em Lisboa já mais do que uma vez manifestações organizadas pela comunidade iraniana em Portugal. O que pedem?
O único partido que têm participado nestas manifestações tem sido a Iniciativa Liberal. Onde param os que se dizem defensores dos direitos humanos?
A esperança do Irão é a intervenção militar dos EUA, são os únicos capazes de decapitar o regime teocrático do Irão. Esta luta pela liberdade é da maioria dos iranianos, o regime está sozinho, não tem apoio interno. Será desta vez que a ditadura iraniana cai? Quanto mais tempo durar, mais iranianos morrerão pela libertação do Irão.
Quem acredita nos direitos humanos, no estado de direito e na democracia apoia esta causa. Cabe a cada um de nós escolher estar do lado certo da história, o silêncio já não é opção.
Guia-Intérprete Nacional
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