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Hospital São João duplica produção em medicina de reprodução e prepara internacionalização

O Centro de Medicina de Reprodução do Hospital São João, no Porto, tem vindo a registar um crescimento notável desde a sua criação em 2023, duplicando a produção em três anos e preparando-se para uma internacionalização iminente. 

Recentemente, o centro mudou-se para novas instalações que serão oficialmente inauguradas dentro de cinco semanas, conforme explicou Manuel Melo, vogal do conselho de gestão da unidade especializada.

A transferência dos utentes, profissionais, equipamentos e processos já está concluída. Lara e Armando Dauer são um dos casais que já frequentam o piso 5 da Ala Pediátrica do Hospital São João com esperança de aumentar a família. Lara, de 34 anos e natural de Fortaleza, Brasil, enfrenta a endometriose, uma doença crónica que lhe provoca dores e que lhe dificulta engravidar naturalmente. O casal iniciou o processo de fertilização in vitro (FIV) no final do ano passado e espera poder concretizar o sonho de ter um filho já no Natal de 2026.

“Estávamos no metro no final do ano quando recebemos a chamada com data para primeiros tratamentos. Ficámos muito ansiosos, mas muito felizes, e muito surpresos. A primeira consulta tinha sido em setembro só”, contou Armando Dauer. Lara explicou que “foi-nos recomendada FIV, um processo complicado fisicamente e psicologicamente, mas acreditamos que vai dar certo”.

A diretora clínica do CRI-MR, Sónia Sousa, destacou a melhoria significativa na rapidez dos tratamentos: “Era muito difícil estar a fazer a consulta ao casal e depois dizer: ‘olhem, daqui a um ano e tal uma enfermeira vai telefonar começarmos o tratamento’. Diziam ‘tanto tempo?!’ e quase a única coisa que lhes podíamos dizer era ‘há sítios em que ainda é pior’. Agora é muito gratificante dizer à senhora ‘vai começar agora uma pílula e na próxima menstruação já vamos começar o tratamento’”.

No âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), os tratamentos de reprodução assistida são disponibilizados a mulheres até aos 40 anos, enquanto no setor privado o limite é até aos 50 anos. O CRI-MR tem diminuído significativamente as listas de espera: a procura anual ronda os 400 casos, tendo o centro respondido a 600 casos no primeiro ano, 800 no segundo e 900 em 2025. As taxas de resposta dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido aumentaram de 6% para 95%, sendo os restantes 5% relativos a faltas ou adiamentos por parte dos utentes.

O centro também reduziu a espera para tratamentos de segunda linha, como os relacionados com diagnósticos genéticos pré-implantação (PGT), que permitem a casais com doenças genéticas evitar a transmissão dessas patologias aos filhos. “Podemos estar a falar de uma doença muito prevalente em Portugal, que é a doença da paramiloidose, da doença Machado-Joseph e de uma data de outras doenças que, neste momento, podemos dizer que desde que haja mutação identificada podemos montar a técnica de reprodução”, explicou Sónia Sousa.

O CRI-MR do São João é o único centro do SNS a realizar este tipo de tratamentos, atraindo utentes de todo o país, incluindo Madeira e Açores, e pretende internacionalizar-se. Manuel Melo sublinhou que “tínhamos três objetivos, um por ano. O primeiro era duplicar a produção, o segundo ter instalações novas que fossem uma referência e o terceiro é a internacionalização. Os dois primeiros estão cumpridos e acho que já ninguém tem dúvidas que o terceiro também será. Contamos que neste primeiro semestre as coisas estejam preparadas para começarmos a receber os primeiros casais de fora”.

Para modernizar o centro foram investidos cerca de dois milhões de euros, dos quais 1,5 milhões foram para obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e meio milhão para equipamentos adquiridos com fundos próprios do hospital. O espaço aumentou de 300 para 650 metros quadrados e recebeu características inovadoras, como um piso feito com material totalmente natural que substitui o vinil, considerado prejudicial aos embriões. “Visitámos clínicas de referência de toda a Europa para perceber o que melhor se fazia. Disseram-nos que o vinil prejudica os embriões”, afirmou Manuel Melo.

Sónia Sousa destacou ainda a oferta integrada de valências no mesmo espaço, como psicologia, genética e nutrição. A equipa do CRI-MR é composta por cerca de 20 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, biólogos, administrativos e auxiliares.

lusa/HN

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