Aberta investigação à morte de Alex Pretti em Minneapolis


Dois dias após a morte de Alex Pretti em Minneapolis, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos da América e o FBI abriram uma investigação para apurar os factos do episódio que levou vários agentes do ICE a disparar fatalmente sobre o cidadão norte-americano durante um protesto na maior cidade do estado do Minnesota.
Nesta investigação serão analisadas as imagens captadas pelas bodycams dos agentes que estiveram envolvidos na morte, bem como todas as outras provas que foram registadas no momento de sábado que foi o culminar de uma grande tensão entre os serviços de imigração e os cidadãos norte-americanos na cidade de Minneapolis.
No dia em que Alex Pretti foi morto, o Departamento de Segurança Interna anunciou que o enfermeiro norte-americano de 37 anos carregava uma arma, que terá sido confiscada por um agente do ICE durante o confronto. A conta oficial da agência nas redes sociais chegou a publicar uma imagem da alegada arma de Pretti, pousada no banco de um carro. Esta segunda-feira, um advogado do Departamento de Justiça disse, numa audiência em tribunal, que “tudo o que recolheram no local foi preservado”. Contudo, como refere o New York Times, na fotografia publicada, a arma não havia sido recolhida de acordo com o protocolo, não tendo sido imediatamente selada num “saco de provas”.
Em paralelo, decorria uma audiência em tribunal federal, a pedido do estado, para determinar se a operação do ICE em Minneapolis teria ou não de ser terminada. Ao fim de duas horas, a juíza Katherine Menendez não anunciou a sua decisão, deixando em aberto o futuro da Operação Metro Surge. “Se houvesse uma prioridade acima da máxima, era aqui que isto estaria”, declarou a magistrada norte-americana. A equipa de advogados escolhida pelo estado de Minnesota disse que a presença de 4.000 agentes de imigração na principal cidade do estado foi feita para “coagir a adoção de políticas” de Trump, bem como para “agitar a panela”.
Os advogados do governo federal disseram que o aumento dos agentes na cidade está relacionada com a “falta de cooperação” da administração estadual na política nacional de imigração. “Acho que nem é preciso dizer que estamos a viver tempos extremamente invulgares”, confessou a juíza, no final da sessão.
Esta segunda-feira à noite, o “Czar das fronteiras”, Tom Homan, vai chegar a Minneapolis para gerir as operações dos serviços de imigração no terreno, substituindo o comandante do ICE, Gregory Bovino, que sairá de Minnesota para voltar a dirigir os agentes à distância e a nível nacional, confirmou a Casa Branca.
A porta-voz da presidência dos Estados Unidos admitiu que a administração Trump estaria disposta a retirar os agentes do ICE da cidade de Minneapolis, mas apenas se os dirigentes estaduais começassem a cooperar com as forças federais no terreno. Donald Trump quer que todos os imigrantes não documentados que estejam presos em cadeias no estado sejam “entregues” às autoridades. “Se o Governador Walz e o Presidente da Câmara Frey implementarem estas medidas de cooperação de bom senso, os agentes de Alfândega e Proteção de Fronteiras já não serão necessários para apoiar o ICE”, afirmou Karoline Leavitt.


