Trump vai enviar o “Czar das Fronteiras” para o Minnesota para gerir as operações do ICE


Donald Trump anunciou nas redes sociais que vai enviar Tom Homan, o “Czar das Fronteiras”, nome pelo qual é conhecido, para o Minnesota. O anúncio acontece após dias de intensos protestos em Mineápolis devido às ações do ICE, que já provocaram a morte de dois cidadãos norte-americanos sem antecedentes criminais.
“Vou enviar o Tom Homan para o Minnesota esta noite. Ele não tem estado envolvido nesta área, mas conhece e gosta de muitas pessoas lá. O Tom é duro, mas justo, e vai reportar-me diretamente”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos na sua rede social, a Truth Social, esta segunda-feira.
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, disse nas redes sociais que Tom Homan “vai gerir as operações do ICE no terreno, no Minnesota, para continuar a prender os piores criminosos estrangeiros ilegais”.
Tom Homan recebeu a alcunha de “Czar das Fronteiras” por ser o responsável pela aplicação das políticas de anti-imigração de Trump. Foi diretor interino da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) entre janeiro de 2017 e junho de 2018, e também trabalhou na área de controlo de fronteiras durante a presidência de Barack Obama.
O “Czar das Fronteiras” defende uma abordagem mais direcionada, com as detenções focadas em imigrantes ilegais e com antecedentes criminais, enquanto a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, tem-se concentrado nos números brutos de deportações. Ainda assim, disse na rede social X que “esta é uma boa notícia para a paz, a segurança e a responsabilização em Mineápolis”.
Kristi Noem apelou ainda “aos líderes do Minnesota para que permitam a parceria estadual e local na nossa missão de segurança pública”. Em causa está o envio de dados de cidadãos que estarão envolvidos numa fraude, ainda não provada.
Sobre este assunto, o Presidente anunciou que Homan vai coordenar as investigações em curso sobre uma “fraude maciça de mais de 20 mil milhões de dólares em benefícios sociais” no Minnesota. Garantiu ainda que esta fraude está a ser “responsável, pelo menos em parte, pelos violentos protestos organizados que estão a ocorrer nas ruas”.
Trump disse também que o Congresso estava a investigar a congressista democrata Ilhan Omar, “que deixou a Somália sem NADA e agora tem um património estimado em mais de 44 milhões de dólares”. A congressista já garantiu que se trata de uma “campanha coordenada de desinformação da direita”.
No domingo, Trump já tinha acusado os democratas de provocarem o caos. “Na verdade, incentivam agitadores de esquerda a obstruir ilegalmente as operações para prender as piores pessoas”, afirmou, após Bill Clinton e Barack Obama terem pedido aos cidadãos para se manifestarem. Entretanto, os democratas anunciaram que vão bloquear a atribuição de fundos federais adicionais para o Departamento de Segurança Nacional, que tutela os serviços de imigração.
Os anúncios de Trump surgem após a morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos que foi baleado por agentes do ICE na manhã de sábado em Mineápolis. Os agentes disseram que Pretti estava armado no momento dos disparos fatais, mas os vídeos partilhados nas redes sociais contradizem esta versão.
O Presidente dos EUA anunciou que a morte está a ser investigada e, numa entrevista ao “Wall Street Journal”, admitiu a retirada dos agentes do ICE do Minnesota sem, no entanto, indicar uma data.


