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Pouco invasiva e com grandes resultados. A revolução que chegou com a Radiologia de Intervenção em 7 respostas

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Era uma senhora de 80 anos e enfrentava um diagnóstico de grave bloqueio arterial na coxa (doença vascular periférica) que, nesses anos 60, ditava a amputação da perna; uma cirurgia de que, dada a idade e as comorbilidades, parecia ser a única saída, e ainda assim não garantia um resultado positivo. A senhora teve a sorte de se cruzar no seu caminho um médico que privilegiava a inovação e, tendo estudado métodos alternativos e ainda raramente vistos com bons olhos, sugeriu outra abordagem: em lugar de amputar, usar as técnicas de cateterismo habitualmente usadas apenas para diagnóstico. Inserindo um cateter através da virilha, o médico guiou-o até à artéria bloqueada na coxa, recorrendo à fluoroscopia (um tipo de imagem de raios-X em tempo real) como guia, conseguindo assim dilatar o vaso bloqueado e restaurar o fluxo sanguíneo. O médico em causa era Charles Dotter, conhecido hoje como o “pai da Radiologia de Intervenção”.

O sucesso deste caso revolucionou a prática médica e deu origem a uma subespecialidade da Radiologia que evoluiu para o tratamento de inúmeras doenças com métodos minimamente invasivos, permitindo salvar inúmeras vidas, evitando cirurgias agressivas e trazendo imensa qualidade de vida aos doentes. Hoje, milhares de especialistas, como Pedro Marinho Lopes, desenvolvem e aplicam a Radiologia de Intervenção trazendo o doente para o centro dos cuidados de saúde, humanizando cada vez mais a prática médica.

Hoje, assinala-se o Dia Mundial da Radiologia de Intervenção, que celebra esta primeira angoplastia e, através das vozes da Cardiovascular and Interventional Radiological Society of Europe (CIRSE) e Society of Interventional Radiology (SIR), à qual se juntou a Associação Portuguesa de Radiologia de Intervenção (APRI), tem como principal objetivo aumentar a consciencialização do público sobre o que é a Radiologia de Intervenção e o impacto que tem na vida dos doentes, num dia em que especialistas de todo o mundo partilham casos de sucesso e métodos seguros, eficazes e centrados no paciente. “Este dia é uma oportunidade fundamental para reforçar o reconhecimento da subespecialidade junto da sociedade e sublinhar o seu papel decisivo no presente e no futuro da medicina.”

“A Radiologia de Intervenção é uma área médica minimamente invasiva que utiliza técnicas de imagem para diagnosticar e tratar múltiplas patologias, muitas vezes evitando cirurgias mais agressivas, reduzindo riscos, dor e tempo de internamento”, explica o presidente da APRI, Pedro Marinho Lopes. O coordenador clínico da especialidade na CUF adianta ainda que esta subespecialidade da Radiologia é “essencial na medicina moderna, com benefícios claros para os doentes e para os sistemas de saúde”.

À frente da APRI, Pedro Marinho Lopes explica o papel da associação, que assume três grandes missões: “formar profissionais, divulgar junto da sociedade o impacto destas técnicas e promover investigação e boas práticas clínicas”. “A APRI funciona também como plataforma de ligação entre hospitais, universidades, decisores e parceiros internacionais, contribuindo para que cada vez mais portugueses tenham acesso a cuidados modernos, seguros e eficazes.”

Em 7 perguntas e respostas, o SAPO explica o que é e quais são as maiores vantagens da Radiologia de Intervenção.

1. O que é a Radiologia de Intervenção?
A Radiologia de Intervenção (RI) é uma área médica minimamente invasiva que utiliza técnicas de imagem, como a fluoroscopia, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para diagnosticar e tratar uma vasta gama de patologias. É uma subespecialidade dentro da Radiologia que combina a experiência em diagnóstico por imagem com procedimentos terapêuticos.

2. Em que casos pode ser determinante?
A RI pode ser determinante como uma alternativa ou complemento à cirurgia convencional, permitindo o tratamento de muitas doenças sem a necessidade de cirurgia aberta. É aplicada em diversas áreas, incluindo o tratamento de tumores (em oncologia), doenças vasculares (como angioplastias e embolizações), e a realização de biópsias guiadas por imagem.

3. Como é benéfica para o doente?
Os benefícios para o doente são significativos e incluem a redução de riscos, menos dor e tempos de recuperação mais rápidos. Uma vez que os procedimentos são minimamente invasivos, resultam em cicatrizes praticamente inexistentes e, muitas vezes, numa diminuição dos dias de internamento hospitalar.

4. De que forma se traduz este caráter inovador?
A RI é considerada inovadora porque se baseia no desenvolvimento contínuo de novas tecnologias e técnicas que permitem tratamentos mais precisos e direcionados. O uso de orientação por imagem em tempo real e procedimentos no alvo (on-target) são avanços que exploram as fronteiras da medicina minimamente invasiva.

5. Quem realiza os procedimentos de Radiologia de Intervenção?
Os procedimentos são realizados por radiologistas de intervenção, que são médicos com a especialidade de Radiologia e formação adicional específica nesta subespecialidade. Estes profissionais trabalham em equipas multidisciplinares que incluem técnicos e enfermeiros especializados.

6. Qual foi o marco fundador da Radiologia de Intervenção?
O marco fundador da RI, celebrado no Dia Mundial da Radiologia de Intervenção, foi a realização da primeira angioplastia pelo Dr. Charles Dotter, acima descrita a 16 de janeiro, de 1964.

7. O que a APRI faz para promover a especialidade?
A Associação Portuguesa de Radiologia de Intervenção (APRI) trabalha para dar voz, estrutura e futuro à RI em Portugal, promovendo a formação de profissionais, a divulgação do impacto destas técnicas junto da sociedade e a investigação. No Dia Mundial da RI, a APRI realiza campanhas de divulgação, incluindo a produção de vídeos institucionais, para aumentar a consciencialização pública para estes procedimentos e as suas vantagens.

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