ULS Coimbra diz que acusações infundadas e a exploração mediática da doente deitada no chão não fazem justiça ao trabalho diário desenvolvido pelos profissionais no SNS


Na sequência das notícias divulgadas sobre uma alegada situação envolvendo uma doente oncológica que teria estado “deitada no chão por falta de macas” no Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra considera essencial prestar esclarecimentos adicionais, com base nos registos clínicos existentes e nos testemunhos dos profissionais envolvidos.
Segundo refere e. comunicado a ULS de Coimbra, a afirmação de que a doente terá permanecido deitada no chão por inexistência de macas não corresponde à verdade.
De acordo com os relatos recolhidos, o enfermeiro da pré-triagem foi inicialmente abordado por um familiar com um pedido de maca. Após avaliação da situação no local, verificou-se que a doente se encontrava calma, orientada e com capacidade para se manter sentada, tendo sido prontamente disponibilizada uma cadeira de rodas, com o apoio de um elemento da segurança. A doente entrou no Serviço de Urgência sentada nessa cadeira de rodas, acompanhada por dois familiares, situação confirmada pelos seguranças em serviço.
Num curto intervalo de tempo, um dos familiares decidiu regressar ao veículo para trazer uma manta, que estendeu no chão, deitando posteriormente a doente e anunciando a intenção de fotografar e divulgar imagens, revela. Um bombeiro alertou de imediato a equipa de enfermagem para essa situação, tendo esta intervindo prontamente e procedido à triagem da doente.
A ULS sublinha que, em momento algum, permitiu ou permitiria que uma doente permanecesse no chão por falta de meios, independentemente da sua condição clínica.
Relativamente ao atendimento clínico, a ULS esclarece que a doente recorreu ao Serviço de Urgência em dois momentos distintos, tendo sido em ambos os episódios triada com prioridade clínica laranja (muito urgente), de acordo com as queixas apresentadas, e observada dentro dos tempos-alvo definidos. Na primeira admissão, a triagem ocorreu às 13h45, seguindo-se observação pela especialidade de Cirurgia Geral, registo médico e prescrição terapêutica às 13h56, cumprimento da prescrição de enfermagem às 14h11, reavaliação clínica, realização de exames complementares de diagnóstico e discussão do caso com a especialidade médica, que assumiu a doente às 19h17. A alta foi concedida às 20h34, após medicação.
Dois dias depois, na segunda admissão ao Serviço de Urgência, a triagem foi efetuada às 10h34, novamente com prioridade laranja, tendo a doente sido observada pela Cirurgia Geral, realizado exames complementares e recebido terapêutica, com reavaliação clínica antes da alta, que ocorreu às 13h43, com orientações e articulação para seguimento adequado. Em ambos os episódios, a doente foi avaliada, medicada e acompanhada de acordo com as boas práticas clínicas e os protocolos em vigor.
A ULS de Coimbra rejeita de forma clara e inequívoca as acusações dirigidas aos seus profissionais, sublinhando que as equipas do Serviço de Urgência têm enfrentado turnos particularmente exigentes, num contexto de elevada pressão assistencial, atuando sempre com profissionalismo, humanidade e respeito pelos doentes.
A instituição considera que acusações infundadas e a exploração mediática de situações desta natureza não fazem justiça ao trabalho diário desenvolvido no Serviço Nacional de Saúde por médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais e restantes profissionais, muitas vezes em condições difíceis.
A ULS de Coimbra mantém-se disponível para prestar todos os esclarecimentos adicionais que se revelem necessários, reafirmando o seu compromisso com a verdade dos factos, a qualidade dos cuidados prestados e a defesa do Serviço Nacional de Saúde e dos seus profissionais.


