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USF-AN: resposta à gripe não pode ser só mais urgências, é preciso investir na base

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A USF-AN defende que a crise repetida nas urgências no inverno resulta de más escolhas políticas e apela a um investimento consistente nos cuidados de saúde primários, considerados a verdadeira espinha dorsal do SNS

A USF-AN considera que a resposta sazonal à gripe e a pressão nas urgências resultam de escolhas políticas erradas, defendendo um investimento consistente no SNS e nos cuidados de saúde primários como solução estrutural.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a direção da USF Associação de Nursão argumenta que o cenário que se repete todos os invernos – urgências sobrecarregadas, tempos de espera extensos, encerramento de serviços – não é uma inevitabilidade, mas sim “o resultado de escolhas políticas repetidas”. O documento, com o título “Gripe, urgências e SNS: Insistir no erro não resolve”, sublinha que este ciclo tem um “custo elevado e evitável” em vidas, dias de trabalho e impacto socioeconómico.

A associação médica defende que a resposta habitual, que passa por reforçar as urgências hospitalares e desviar profissionais dos centros de saúde para estruturas de doença aguda, fragmenta os cuidados e esgota os recursos humanos do Serviço Nacional de Saúde. “Perturbando o seu normal funcionamento, desgastando os profissionais e enfraquecendo precisamente aquilo que mais protege a população”, lê-se no texto. A posição é clara: “Não é a urgência que salva o SNS. São os cuidados de saúde primários que o sustentam.”

A USF-AN relembra que foi o modelo baseado nos cuidados de saúde primários, assente na continuidade e na relação de longo prazo entre equipas e utentes, que demonstrou robustez durante a pandemia de COVID-19. A organização aponta ainda dados internacionais da OCDE que colocam Portugal em boa posição relativamente a internamentos evitáveis e mortalidade tratável, indicadores que associam diretamente à qualidade dos cuidados primários.

Contudo, o comunicado alerta para o que classifica como um investimento “manifestamente insuficiente” no SNS, destacando que no último concurso foram abertas apenas 142 vagas para médicos de família, quando há um défice de pelo menos 787. São também referidas carências de 328 profissionais em cada uma das carreiras de enfermeiro de família e secretário clínico. Apesar disso, a associação nota que “nunca existiram tantas USF modelo B (704), nem tantas pessoas nelas inscritas (8.021.170)”, vendo nisto um sinal de que “quando existem condições de estabilidade e valorização profissional, a resposta surge”.

Para fazer face aos picos de procura, como os da gripe sazonal, a USF-AN defende que a solução não se esgota no reforço das urgências. É necessário, segundo a sua análise, um conjunto de medidas complementares: otimizar o SNS24, apostar na vacinação contra doenças respiratórias, investir em literacia em saúde, promover o autocuidado informado e adotar medidas de etiqueta respiratória. O documento menciona ainda a experiência da Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra com um novo circuito assistencial que recorre à automatização e inteligência artificial, projeto designado por “pulseira dourada”.

A conclusão do comunicado é perentória: “Persistir num modelo centrado quase exclusivamente na urgência hospitalar é insistir num erro conhecido.” A direção da USF-AN deixa assim um apelo para uma estratégia que fortaleça a base do sistema, considerando que “sistemas de saúde resilientes constroem-se a partir de cuidados de saúde primários fortes, acessíveis e devidamente capacitados”.

PR/HN/MM

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