
Investigadoras da ESEUC desenvolvem caneta que monitoriza glicemia e coagulação com acessibilidade inclusiva
Uma caneta que avalia a glicemia e a coagulação sanguínea, com inscrições em braille para acesso de pessoas invisuais, e um fato que simula o envelhecimento de forma progressiva são os projetos vencedores de um concurso promovido pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra
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Um dispositivo médico em forma de caneta, designado “Pen2Scan”, que permite a colheita e análise simultânea de glicemia e coagulação sanguínea, está a ser desenvolvido na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra. A inovação, pensada para doentes e instituições de saúde, integra tecnologia de vácuo para reduzir o desconforto e inclui inscrições em braille.
A ideia partiu de três recém-licenciadas em Enfermagem — Ana Monteiro, Núria Mena e Salomé Galvão — em colaboração com a bolseira de investigação Inês Almeida. O projeto venceu a 2.ª edição do Concurso de Projetos de Ignição e Provas de Conceito da ESEUC, enquadrado no programa de transferência de tecnologia INOVC+.
Ana Monteiro detalha que o aparelho multifunções “reduz a dor, assegura a quantidade adequada de sangue e diminui erros e repetições do procedimento”. O seu funcionamento é descrito como simples, sendo complementado por uma aplicação móvel que regista automaticamente resultados, histórico clínico, data e hora. A aplicação utiliza códigos de cor para interpretação dos valores e permite o contacto com profissionais de saúde.
“A caneta inovadora incluirá inscrições em braille, garantindo acessibilidade a utilizadores invisuais”, sublinha a promotora. O prémio atribuído, no valor de aproximadamente 2 800 euros, destina-se a elevar o nível de maturidade tecnológica do projeto, atualmente no patamar 2. Os fundos serão aplicados até julho de 2026 num plano experimental que inclui o desenvolvimento de um protótipo funcional, testes preliminares, ajustes técnicos e validação experimental.
Paralelamente, foi distinguido no mesmo concurso o projeto “SENESUIT: Fato de Simulação Biomecânica e Neurofisiológica do Envelhecimento Senescente”. Concebido por cinco docentes e investigadores da ESEUC — Alberto Barata, Isabel Gil, Paulo Costa (promotor principal), Maria de Lurdes Almeida e Pedro Parreira —, o fato visa simular de forma graduável e mensurável as limitações funcionais do envelhecimento, aproximando-se de padrões fisiológicos reais.
Paulo Costa explica que o sistema integrará componentes pneumáticos de rigidez variável, sensores e módulos de estimulação neuromuscular, coordenados por software próprio. “Pretende-se que o ‘SENESUIT’ ajude o utilizador a compreender como a acumulação gradual de alterações biomecânicas e neuromusculares condiciona a mobilidade, a segurança e a autonomia da pessoa mais velha”, afirma. O fato dirige-se prioritariamente à formação de estudantes e profissionais de saúde e sociais, mas poderá também ser usado em programas de capacitação de cuidadores informais.
O apoio financeiro a este projeto ronda os 3 200 euros, a desembolsar até julho de 2026 para o desenvolvimento de um protótipo semifuncional. Este passo é considerado essencial para a transição do conceito para uma demonstração funcional controlada, pavimentando o caminho para validação técnica e desenvolvimento futuro.
O INOVC+, projeto considerado estratégico para a região Centro, envolve 23 entidades parceiras e é liderado pela Universidade de Coimbra. A sua quarta edição, com duração de dois anos e meio, conta com um investimento de 4,1 milhões de euros, cofinanciado a 85% pelo Centro 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia.
PR/HN/MM
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