
Ergonomia e características físicas influenciam desempenho na reanimação cardiopulmonar
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com instituições da Alemanha e da Finlândia, revelou que a posição dos braços e o posicionamento do reanimador têm um impacto significativo na qualidade das compressões torácicas durante a reanimação cardiorrespiratória.
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A investigação utilizou simuladores para medir a eficácia das compressões e sensores de eletromiografia para avaliar a fadiga muscular, tendo contado com a participação de profissionais de saúde experientes, incluindo médicos, enfermeiros e paramédicos.
Os resultados indicam que compressões realizadas com os braços posicionados a 90 graus, ou seja, com os ombros alinhados com os pulsos, garantem maior qualidade e menor fadiga muscular. Por outro lado, uma posição de 105 graus, frequentemente observada, em que os ombros do reanimador estão ligeiramente recuados, está associada a uma queda precoce no desempenho e a um maior esforço muscular. Além disso, as características físicas dos reanimadores, como a altura e o peso, influenciam a sua performance, com indivíduos mais altos ou mais pesados a conseguirem compressões mais profundas e com menor fadiga.
O estudo também destacou que posições elevadas, como a utilização de um banco, permitem manter compressões eficazes durante mais tempo, enquanto posições instáveis, como estar de joelhos na cama, comprometem rapidamente a qualidade da reanimação. Com base nestes resultados, os investigadores recomendam que, ao nível individual, os reanimadores devem treinar e executar compressões com os braços a 90 graus, privilegiando posicionamentos ergonómicos, nomeadamente através do uso de plataformas ou da regulação da altura da cama. Esta postura permite tirar partido do peso do próprio corpo e atrasar a fadiga muscular.
A nível organizacional, é fundamental que as salas de emergência disponham de condições que favoreçam a ergonomia, como camas ajustáveis e bancos de apoio. Os programas de treino devem integrar feedback objetivo não só sobre a técnica das compressões, mas também sobre a postura, o posicionamento do reanimador e a ergonomia do espaço, tendo em conta as características antropométricas e o nível de aptidão física dos profissionais. O projeto QualityCPR, que resultou nesta investigação, foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Laerdal Foundation, envolvendo ainda a Ludwig-Maximilians Universität München e a Arcada University of Applied Sciences.
lusa/HN
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