
Alexandra Azinhaga: “O SCALABIS é o nosso ‘pontapé de saída'”
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HealthNews (HN) – A ASE foi fundada há menos de um ano, em julho de 2025. O que torna este primeiro congresso, o SCALABIS, um marco tão significativo para a associação e como é que ele concretiza os objetivos fundadores de promover o intercâmbio de conhecimento e contribuir para o desenvolvimento na área da Emergência?
Alexandra Azinhaga (AA) – O Congresso SCALABIS representa um marco absolutamente estruturante para a Associação Scalabitana de Emergência, constitui-se como o nosso “pontapé de saída”. Sendo uma associação jovem, fundada em julho de 2025, conseguir organizar um congresso desta dimensão, com um programa científico sólido e uma forte adesão dos profissionais, demonstra que a ASE surgiu com uma missão clara e com capacidade de a concretizar.
Desde a sua criação, a ASE definiu como objetivos principais a promoção do intercâmbio de conhecimento científico, a valorização dos profissionais de emergência e o contributo ativo para o desenvolvimento sustentado da área da urgência e emergência, tanto no contexto extra-hospitalar como hospitalar. O SCALABIS materializa exatamente essa visão, criando um espaço formal de partilha de conhecimentos baseados na evidência, discussão de práticas clínicas e encontro de experiências e saberes. No fundo um espaço muito enriquecedor para os profissionais desta área.
HN – O congresso tem como tema “Do Extra ao Intra-Hospitalar: Humanização, Inovação e Desafios”. Porque foi este o tema escolhido para a edição inaugural e de que forma é que o programa reflete estes três pilares — Humanização, Inovação e Desafios?
AA – O tema reflete a necessidade de uma abordagem integrada e sistemática à emergência médica, reconhecendo a continuidade dos cuidados desde o contexto extra-hospitalar até ao ambiente hospitalar. Reflete a essência da resposta em emergência, o cuidado não pode ser fragmentado, é um contínuo, envolvendo os vários profissionais e decisões críticas em contextos adversos.
A humanização está presente nos temas que valorizam a relação com o doente, o cuidado centrado na pessoa, mas também na abordagem do bem-estar emocional dos profissionais e das suas competências não técnicas. A inovação surge através da discussão de novas abordagens clínicas, tecnologia, inteligência artificial, simulação e atualização de práticas baseadas na evidência. Já os desafios são explorados em temáticas como, reanimação em contextos periféricos, catástrofes, trauma e tomada de decisão em cenários complexos.
O programa está desenhado em torno destes três pilares, estão presentes de forma transversal e aplicados á realidade dos contextos.
HN – O evento é promovido em parceria com entidades como a Unidade Local de Saúde da Lezíria e a VMER de Santarém. Como é que estas parcerias moldaram o conteúdo do congresso e qual é a importância desta colaboração entre a associação, as instituições de saúde e a academia (ESSS) para o sucesso da iniciativa?
AA – As parcerias institucionais foram fundamentais para a qualidade e credibilidade do congresso. A colaboração com a ULS Lezíria, a VMER de Santarém e a Escola Superior de Saúde de Santarém permitiu construir um programa cientificamente robusto, baseado na realidade clínica e alinhado com a formação e a prática profissional. Na verdade, os profissionais que integram a comissão organizadora e científica do congresso pertencem às instituições e desenharam o congresso com base na sua realidade profissional, um trabalho que fizemos de forma exímia e desde já enalteço. O apoio prestado em termos de comunicação e imagem, espaço para realizar o evento, foi essencial.
Esta articulação entre associação, instituição de saúde e escola é importante para o desenvolvimento sustentado da emergência médica. Permete aproximar a teoria da prática e criar redes de colaboração que se prolongam muito para além do congresso e promovem a prática baseada na evidência.
HN – Além das sessões do congresso, há cursos pré-congresso no dia 22 de janeiro. Pode partilhar como é que estes cursos foram desenhados para complementar a formação dos profissionais e que tipo de competências práticas se espera que os participantes desenvolvam?
AA – Os cursos pré-congresso foram pensados com base na componente prática e na aquisição de competências aplicáveis e necessárias aos contextos. Áreas como Ventilação não Invasiva e Oxigenoterapia de Alto Fluxo, Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa (SBVA-DAE), Ecografia em contexto de emergência (Protocolo eFAST) e Suporte Avançado de Vida refletem necessidades reais em contexto prático dos profissionais de urgência e emergência.
O objetivo é proporcionar formação certificada, atualizada e baseada na evidência, que complemente o congresso científico e responda às exigências do dia-a-dia clínico, reforçando a confiança, a capacidade de decisão e a segurança dos profissionais.
HN – A ASE celebrou recentemente a sua primeira parceria oficial com uma associação de bombeiros. À luz deste movimento e do congresso, qual é a visão a médio prazo para a ASE? Esperam que o SCALABIS se torne um evento regular e que outras formas de atuação pretendem priorizar?
AA – A visão da ASE passa por se afirmar como um parceiro ativo e agregador na área da Emergência Médica. A primeira parceria foi só um exemplo da aposta na cooperação interinstitucional. Depois dessa, já surgiram outras parcerias com associações profissionais de médicos e enfermeiros, como é o caso da Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE) e a Associação Portuguesa de Médicos e Enfermeiros de Emergência (APMERG).
A ASE quer investir na formação contínua, na organização de eventos científicos, na promoção da investigação, na criação de redes de partilha e na valorização dos profissionais que atuam na urgência e emergência. Em simultâneo, pretendemos que o Congresso SCALABIS se torne um evento regular e de referência.
HN – Para um profissional de emergência médica que ainda está a considerar inscrever-se, qual é o principal motivo pelo qual não deve perder este evento? Que experiência única ou oportunidade de networking oferece o SCALABIS?
AA – O SCALABIS oferece uma experiência única de aprendizagem integrada e crescimento profissional, onde o conhecimento científico se cruza com a experiência. É um congresso feito por profissionais de emergência, para profissionais de emergência. Oferece atualização científica baseada na evidência, contacto com especialistas de referência de diferentes áreas da emergência e discussão aplicada de problemas clínicos reais.
Para além do programa científico, o congresso proporciona uma excelente oportunidade de encontro de profissionais, partilha de experiências e criação de contatos. Conta com a presença de congressistas das áreas intra e extra hospitalares, ligados a associações e ao ensino superior na área da saúde, bem como do sector empresarial. Estarão presentes congressistas de norte a sul do país, de diversas Unidades Locais de Saúde (ULS), do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) e instituições internacionais como os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Organização Mundial de Saúde (OMS).
HN – Como Presidente da ASE e face ao elevado interesse que levou a que as inscrições fossem limitadas à lotação do auditório, qual é a sua mensagem final para a comunidade de urgência e emergência a poucos dias do início deste congresso histórico em Santarém?
AA – A elevada adesão ao SCALABIS é motivo de enorme orgulho e confirma que existe uma forte necessidade de espaços de encontro, reflexão e valorização da emergência médica.
Gostaria também de aproveitar, para enaltecer publicamente a importância do apoio de empresas e instituições locais, bem como todos os nossos patrocinadores, tendo em conta que a nossa associação não tem fins lucrativos e é muito recente, estes apoios foram de extrema importância.
A minha mensagem final é de agradecimento e reconhecimento a todos os profissionais que diariamente dão o melhor de si em contextos exigentes. Desejo que seja um momento de aprendizagem, inspiração e união, e que marque o início da ASE num caminho de crescimento e colaboração na área da urgência e emergência.
Entrevista MMM
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