
Novo guia pretende facilitar diálogo entre doentes e profissionais de saúde no VIH
Um novo guia de conversação, lançado por várias organizações, visa melhorar a comunicação entre pessoas com VIH e profissionais de saúde. A iniciativa surge num contexto em que Portugal mantém uma taxa de novas infeções superior à média europeia
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A relação entre as pessoas que vivem com VIH e os profissionais de saúde revela-se um fator decisivo para a satisfação com o tratamento e, em última análise, para o sucesso terapêutico. Dados recentes indicam que 56% dos doentes não estão plenamente satisfeitos com a sua medicação atual. Contudo, perto de 90% afirmam que um envolvimento mais próximo com os clínicos melhora significativamente a sua perceção sobre a terapêutica. Esta abertura no diálogo é apontada como crucial para assegurar a adesão ao tratamento, um pilar na redução de novas transmissões.
A ciência oferece hoje condições para viver com VIH de forma saudável e sem risco de contágio, graças a terapias que suprimem a carga viral a níveis indetetáveis. Este princípio, resumido na máxima “indetetável = intransmissível”, marca uma viragem não só clínica, mas também social, ao ajudar a desmontar estigmas enraizados.
Apesar dos progressos, a realidade portuguesa continua a suscitar preocupação. O país apresenta um ritmo lento na redução de novos casos, mantendo uma taxa de novas infeções que duplica a média da União Europeia. Um dos problemas mais prementes verifica-se em Lisboa, onde os tempos de espera por uma primeira consulta hospitalar de PrEP – profilaxia pré-exposição – podem ultrapassar um ano, um contraste gritante com o prazo recomendado de 30 dias.
O diagnóstico tardio permanece igualmente como um obstáculo sério. Cerca de 55% das infeções são detetadas tardiamente, sendo que uma em cada cinco só é identificada na fase de SIDA. Estes números reforçam a necessidade urgente de alargar e incentivar o rastreio, além de uma aposta consistente na informação junto da população.
Neste cenário, ganha relevo a crescente descentralização do acompanhamento, com os cuidados de saúde primários – enfermeiros, médicos de família e farmácias comunitárias – a assumirem um papel mais central na resposta à infeção.
Foi precisamente para facilitar a comunicação neste ecossistema mais alargado que um conjunto de organizações – GAT, Ser+, AHSeAS, Liga Portuguesa Contra a SIDA, Positivo e Abraço, com o apoio da ViiV Healthcare – se juntou para lançar a campanha “Saber é Poder”. A iniciativa inclui um guia de conversação, disponível para descarga, que procura ajudar a identificar necessidades e preferências individuais, fomentando uma gestão do tratamento mais informada e ajustada a cada pessoa.
PR/HN
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